domingo, 30 de março de 2008




6 comentários:

Anónimo disse...

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

A M disse...

" As palavras necessárias para conservar ainda os olhos abertos ao mar, ao céu, às dunas, sem vergonha, como se os merecesse, e a inocência pudesse de quando em quando habitar os meus dias. as palavras são a nossa salvação.
- Para lá das palavras...
- Para lá das palavras, da sua articulação na luz e na sombra, há o silêncio, o espesso, turvo silêncio das criaturas. Mas não há nenhum poeta que não sonhe, por sua conta e risco, o sonho de Prometeu. Culpadas ou inocentes, e ambas as coisas o são, as palavras são também o mais veemente testemunho de fidelidade do homem ao homem. eis a singularidade maior dessa "arte de ser" que toda a poesia é, que toda a poesia foi sempre"

Eugénio de Andrade, Rosto Precário.

Anónimo disse...

Quando olho o mar, recordo aqueles dia rasgados em que te cintilavam os olhos de encontro aos meus. Naquela tarde de sábado, guardavas o expresso de encontro à face, tentanto afastar o vento de Novembro. De repente, deixei-me cair no teu regaço e, ao cair da folha, os lábios sossegaram-se à distância menor que um palmo de receio. Se tivessem caido, tenho a certeza, hoje estariamos os dois presos por um encanto acostumado. Como a vida toda, o mundo inteiro, se resolvem sempre num ocasional acaso, G.!

Anónimo disse...

Cheira a mar
a Açores a S. Miguel
ao cheiro do sal
ao gosto do farnel
com que seguíamos às furnas
quando nos escondíamos nas dunas

E o sorriso escaqueirado
que deixavas no ar, Ma...
misturava-se no ar nublado
e não podia não pensar em ti.

Anónimo disse...

"A alcoviteira não é uma figura individualizada, mas sim um tipo social e humano que, com algumas variantes, Gil Vicente utiliza no seu teatro, pondo a nu uma das várias formas de corrupção da sociedade sua contemporânea."
in História Universal da Literatura Portuguesa

Sociedade sua contemporânea,de Gil Vicente,claro,e...afinal pouco mudou!Tudo uma questão de cultura,educação,sentido da conveniência,ou falta dessas e de TUDO!

Anónimo disse...

"Mau Tempo no Canal"
Vitorino Nemésio