domingo, 30 de março de 2008




7 comentários:

Anónimo disse...

"Música, levai-me:
Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?"
Eugénio de Andrade

"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."
Eugénio de Andrade

Anónimo disse...

"Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso."

David Morão Ferreira

Anónimo disse...

Entre o mar tão perto
apenas encoberto
e as rosas de recheio
acertou Eugénio, em cheio.

Anónimo disse...

"Ouves cantar a flosa, e erras,
não é ela, era o mar antes criado,
era a galáxia, o teu cérebro, aquela
que já ouviste ao aprenderes a fala.
Esta ao menos tiveste de a ouvir, a do primeiro nome, no regaço
da tua mãe equívoca, mulher
e voz, mulher e luz, seio,
rumor, adejo. se ouviste cantar
a flosa contra o fundo murmúrio
do mar, foi porque também depois
o bebeste na matriz da carne
ou na dos astros - a tua mãe de berço,
a natureza - no seio falador, no mamilo
astral, das palavras mar, murmúrio.
Tão roucas como a palavra flosa, as do primeiro dia da tua fala,
dia a dia, quando antes vagias
tal como as tuas mães, no berço,
antes do seio, antes do grande Cosmos.
(...)"

Fiama Hasse Pais Brandão, Teoria da Realidade

VM disse...

Que beleza viu nesta rosa? Simples rosa, rosa, aberta...
As rosas para serem bonitas,não precisam de ser vermelhas...
Precisam apenas de ser olhadas, cuidadas...

rosa mar disse...

As férias

Era uma rosa azul de água amarrada
um palácio de cheiros um terraço
e uma jarra de amigos derramada
da casa até ao mar como um abraço.

Era a intensa e clara madrugada
com cigarras dormindo no regaço
em a ampulheta do sono defraudada
no tempo cada dia mais escasso.

Era um país de urzes e lilases
de tardes sonolentas espreguiçando
um aroma de nardos pelo chão

e bandos de meninas e rapazes
correndo amando rindo e adiando
a minha inexorável solidão.

José Carlos Ary dos Santos (1937 - 1984)

Anónimo disse...

"Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas."

Sophia de Mello Breyner Andresen

"Aproveito e digo amo,num sussurro"