sábado, 30 de outubro de 2010

Corramos...

Groucho: Vamos, Ravelli, ande um pouco mais rápido.
Chico: E para quê tanta pressa, chefe? Não vamos a parte nenhuma.
Groucho: Nesse caso, corramos e acabemos de uma vez com isto.
Os Irmãos Marx (citados n'O Meu Dicionário Filosófico, F. Savater)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

friiiio

dentro de mim, ainda hoje
corre uma tempestade de frio
maior que os sopros de janeiro.
foste no princípio dum ano inteiro
eu confundi adeus com desafio
e o gelo agora agarra, e não foge.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Playlist



À espera do próximo capítulo de «Momentos», um tema da selecção de Alejandro Villas-Diego... como sempre, ao jeito do próprio.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nos diferentes tons em que vejo o negro
palpava de memória (e silêncio) a tua luz
como quem se desembaraça da cruz
e tenta não mais ser refém do medo.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dia da (tua) fuga do tempo

Tenho pétalas d'areia e espuma
onde o corpo inventou pálpebras (como a outros)
e turvo os olhos no voo do calor que parte;
o sol já se decepou, enforcado
no horizonte em reta linha
duma terra que e teima redonda:
de ti resta-me a silhueta dos ombros
em luta de tons com o escuro a nascer
e o que sobra só reimagino na memória,
daí aos pés, que deixam na areia
lembranças tão suaves, feitas de veludo
como as carícias de uma mão de mãe.
O corpo prostra-se em glória da gravidade
- eppure se muove - em silêncios sem eco,
pois o meu braço há segundos infinitos
deixou de alcançar o laço dum abraço;
no côncavo da rocha despeço-me
do teu resto
e se pudesse triturava-te no caldo da memória
até seres só futuro numa outra.

Amanhã chorarás com o mesmo sal
mas jurarás que não
e eu não sei cantar
Nem Como Canta A Tempestade.
Soubera fazer um poema com a letras do teu corpo
e erguia uma estátua de alfabetos
entre às de beijos carinhosos
e zês de partidas sem adeus.

Ainda há dias o dia caia com o mesmo sobressalto
mas a noite beijava a praia sem medos
e o escuro só enquadrava
os quatros olhos com que dobrávamos o sono.
Se não houvesse tempo não fugias;
e consolo-me, certo que nem tu nem eu
nem os dois
temos ainda culpa da Criação.

(versão "originária" - depois do "aviso" do P.A. - 5.10.2010)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Kings of Leon

"fuga do dia e do tempo"

tenho pétalas de areia debruadas de espuma
onde o corpo inventou pálpebras (como aos outros)
e turvo os olhos no voo do calor que parte.
o sol já se decepou inglório
enforcado na corda recta do horizonte
duma terra que se teima redonda.
de ti resta-me agora a silhueta dos ombros
(em luta de tons com o escuro a nascer)
e o que sobra só reimagino de memória;
daí me percorro aos pés
que deixaram em areia lembranças tão suaves
feitas de veludo como as carícias de mão de mãe.
o corpo - única pertença que m'acompanha -
prostra-se em glória de gravidade
- eppur se muove -
em silêncios sem eco
pois o meu braço, há segundos infinitos
deixou de alcançar o laço do teu abraço.
no côncavo da rocha despeço-me
definitivamente do teu rosto
e se, e se pudesse
se pudesse triturava-te no caldo da memória
até ser só futuro numa outra.

amanhã chorarás com o mesmo sal
mas jurarás que não.
e eu não sei cantar
nem Como Canta A Tempestade.

soubera fazer um poema com as letras do teu corpo
e erguia uma estátua de alfabetos
ás de beijos carinhosos
zês de partidas por despedir.

ainda há dias o dia caia com o mesmo sobressalto
mas a noite beijava a praia sem medos
e o escuro só enquadrava
os quatro olhos com que dobrávamos o sono.
vou recordar que ensaiei a revolta do adeus
moldando em plasticina de afectos
até suar o cansaço da desistência
todas as letras da saudade.
- e que me sobra? se só a sobra da pergunta
- onde estarás se nem me largas nem te sinto.

deixo a praia. onde as gaivotas
adivinham o mundo por compreender
e gozam de gritos essa alegria
de não aceitar tristeza.

gostava que o futuro nem houvesse
- e não o há, sei bem -
mas teimo-o tanto como o temo.
sem ti as papoilas despedem
as cores da glória
a tradição já não é o que era
eras só tu.

se não houvesse tempo não fugias
e só me consolo
certo que nem tu nem eu nem os dois
temos ainda culpa da Criação.

(Outubro 2010)

domingo, 3 de outubro de 2010

SANKARAH

se olhando o céu
na cortina cinzenta de cada árvore
eu te pudesse alcançar,
cada sonho meu chamar-se-ia dia
e eu de noite não mais
cerraria os olhos
nem saberia pedir a pálpebra alguma
que se deitasse noutra.
se num sopro astral - ou pequeno -
eu um salto desse,
tomaria por espada um destes galhos
e pediria à morte para matar o tempo
ao contrário.

e na bruma cinzenta de cada árvore
tu poderias - sorriso manso -
voltar a acontecer.

ONDJAKI, Acto sanguíneo

Artes - DN

U2 aterraram

Antes da hora

sábado, 2 de outubro de 2010

Ganância

Não foi o Amor que os separou. Nem foi, em última instância, o Amor que os manteve unidos. Mas de uma forma estranha pode-se afirmar que foi a ganância mesquinha que lhes tornou a vida impossível…