Deixa-me juntar os lábios ao teu respirar
Deixa-me espreitar, e ver-te, dormitando
Que na vista fica um desenho de encantar
Com tons d’amor com que te vou pintando
Não acordes, Sereia, que não vemos o mar
Temos dele uma ideia, mas é do tempo ido
Quando nos dizíamos, Haveremos de voar
(e, olha, eu agora sei que isso foi cumprido)
Cada qual galgando nas asas do outro
Loopings em glória, traços da certeza
De o pensar de novo, de novo absorto
Olho-te o encanto a encarnares beleza
Se pudera pintar o gesto que nem fazes
(escasso era o arco íris que então faria):
A cor que futurava na idade dos rapazes
Milhões de luzes não diriam o que sentia
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quarta-feira, 4 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
pareces
Realiza-se no dia trinta deste mês
O lançamento dum livro no prelo;
Conta a história de uma vida a três
Que é a vida da mulher d’amarelo.
Logo pensam os puristas, credo…
Isto bem cheira a lânguida ousadia
Os outros, surfistas, vão mais cedo
Porque lhe conhecem já a fantasia.
Não há nada de especial no enredo:
É a mulher dos três chapéus de coco
Que tão viva aos homens deixa medo
E se mantém em vida a respirar pouco
É uma mulher desconforme e alegre
Que dispara em todas as direcções:
Avança pelo caminho que não mede
A estilhaçar novos e velhos corações
Claro que o poema poderia sê-lo
Mas o amarelo é cor bué garrida.
Fica a rima fraca, não conseguida
Pois mais interessa bem parecê-lo.
Pareces…
O lançamento dum livro no prelo;
Conta a história de uma vida a três
Que é a vida da mulher d’amarelo.
Logo pensam os puristas, credo…
Isto bem cheira a lânguida ousadia
Os outros, surfistas, vão mais cedo
Porque lhe conhecem já a fantasia.
Não há nada de especial no enredo:
É a mulher dos três chapéus de coco
Que tão viva aos homens deixa medo
E se mantém em vida a respirar pouco
É uma mulher desconforme e alegre
Que dispara em todas as direcções:
Avança pelo caminho que não mede
A estilhaçar novos e velhos corações
Claro que o poema poderia sê-lo
Mas o amarelo é cor bué garrida.
Fica a rima fraca, não conseguida
Pois mais interessa bem parecê-lo.
Pareces…
virás
Ah, havia uma mulher de branco esquecida
Tanto minha como as outras, que o não são
E disfarçava a ausência de parecer perdida
Nuns acenos voláteis de cores e de atenção
O Anísio dizia que o branco não debota
E, assim, já aceito, solene, tal franqueza
Vou deixar-te um enorme cartaz à porta,
Tu virás aqui num dia claro, com certeza
Caso não chegues, renovo a paciência
De misturar mais cores no meu pincel
Que na falta de outro saber ou ciência
Tentarei volver açúcar o travo do fel.
Virás...
Tanto minha como as outras, que o não são
E disfarçava a ausência de parecer perdida
Nuns acenos voláteis de cores e de atenção
O Anísio dizia que o branco não debota
E, assim, já aceito, solene, tal franqueza
Vou deixar-te um enorme cartaz à porta,
Tu virás aqui num dia claro, com certeza
Caso não chegues, renovo a paciência
De misturar mais cores no meu pincel
Que na falta de outro saber ou ciência
Tentarei volver açúcar o travo do fel.
Virás...
sábado, 31 de maio de 2008
deixa-te
Sinto um vazio no sopé da esperança
Assim que renovas essa tua ameaça:
Os tempos idos de bem-aventurança
São futuros próximos de desgraça.
Só porque teimas no propósito louco
De eu me te dar por inteiro e uno,
Partindo do que é dado ser tão pouco
E eu não ter categoria nem aprumo.
Deixa-te dessas coisas, mulher lilás
Dou o que dou; é só isso que posso
Mais do que isso sei já não ser capaz
E outras exigências nem te as oiço.
Deixa-te...
Assim que renovas essa tua ameaça:
Os tempos idos de bem-aventurança
São futuros próximos de desgraça.
Só porque teimas no propósito louco
De eu me te dar por inteiro e uno,
Partindo do que é dado ser tão pouco
E eu não ter categoria nem aprumo.
Deixa-te dessas coisas, mulher lilás
Dou o que dou; é só isso que posso
Mais do que isso sei já não ser capaz
E outras exigências nem te as oiço.
Deixa-te...
sexta-feira, 30 de maio de 2008
dá-me
Verdes eram os olhos da cor do poema
com que cantaste o enredo da conquista
e eu enrolei-me em ti e na restante cena
e muito confundi a nobre arte e a artista.
Dizem, olhares verdes são falsos
Ainda assim, não apago a devoção
Iria de novo e em pés descalços
rogar-te um só bafo do coração.
Dá-me...
com que cantaste o enredo da conquista
e eu enrolei-me em ti e na restante cena
e muito confundi a nobre arte e a artista.
Dizem, olhares verdes são falsos
Ainda assim, não apago a devoção
Iria de novo e em pés descalços
rogar-te um só bafo do coração.
Dá-me...
ri
Vermelho é o riso
de teu olhar amigo.
Esse que me é preciso.
Esse que me foge o perigo.
Quando tomba a noite escura
e o negro engole esse vermelho
iludo-me são, mas é loucura
ver-te a ti ao olhar o espelho.
Ri...
de teu olhar amigo.
Esse que me é preciso.
Esse que me foge o perigo.
Quando tomba a noite escura
e o negro engole esse vermelho
iludo-me são, mas é loucura
ver-te a ti ao olhar o espelho.
Ri...
deixa
Deixa que pinte de azul
o resto do teu dia.
Como se fizesse Sul
em toda a fantasia.
E fossemos beber do mar
em rebolões de fina areia.
Como se voltar a amar
fosse sempre vez primeira.
Deixa...
o resto do teu dia.
Como se fizesse Sul
em toda a fantasia.
E fossemos beber do mar
em rebolões de fina areia.
Como se voltar a amar
fosse sempre vez primeira.
Deixa...
domingo, 11 de maio de 2008
"Prateada"
A hora deixa na noite, de arrepios
A vista de meu cansaço enevoada
Procuro no vazio dos lugares vazios
A dela, minha lembrança esvaziada.
Salpico a memória com a luz de restos
Aflijo-me de não sentir um só recordo
Invento desculpas em jeito de protestos
Como a balir, e sabendo que não mordo
Afinal o esforço não me valeria de nada
Sempre assim é a quem por pouco sofre
A mulher escondeu-se em forma prateada
E anda a incomodar nos cantos do blogue
A vista de meu cansaço enevoada
Procuro no vazio dos lugares vazios
A dela, minha lembrança esvaziada.
Salpico a memória com a luz de restos
Aflijo-me de não sentir um só recordo
Invento desculpas em jeito de protestos
Como a balir, e sabendo que não mordo
Afinal o esforço não me valeria de nada
Sempre assim é a quem por pouco sofre
A mulher escondeu-se em forma prateada
E anda a incomodar nos cantos do blogue
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