domingo, 26 de abril de 2009

A CONCHA

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
bbbbbbbbbbbbb
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
gggggggggg
E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.
ggggggggggggggggggg
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
bbbbbbbbbbbbbbb
Vitorino Nemésio, O Bicho Harmonioso

8 comentários:

Intermitências de Ecos disse...

Vitorino Nemésio, outro conterrâneo dos Açores!
Foto maravilhosa - A minha terra!

Adorei! Ver o que é 'nosso' é sorriso na alma.

Passiflora Maré disse...

Belíssimo, Belíssimo, Belíssimo!

AugustoMaio disse...

Um grande poeta, sem dúvida. E que sendo poeta, era também mais (ou diferente) um grande prosador e crítico.

Enfim, umas Ilhas cheias de beleza e também de beleza literária. Embora já por aqui tenha estado, preciso de ir recuperar (brevemente) a - também muito grande - Natália Correia.

.:Bruna Malaquias:. disse...

Belíssimo, Augusto!

visto e relido disse...

Na verdade este é um poema fantástico,maravilhoso

Nádia disse...

uma bonita foto com um poema maravilhoso... adorei :)

Pedrasnuas disse...

VITORINO NEMÉSIO...ESPERO LÊ-LO EM "MAU TEMPO NO CANAL" ...MUITO BONITO SEM DÚVIDA

RECUPERA OS DIAMANTES PERDIDOS E ESQUECIDOS...

relido disse...

Coisa fantástica. Maravilhosa.