quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Perseguição da beleza

«E a beleza não serve de nada. Atrapalha. Provoca desastres nas famílias, intoxica-nos até ao desmaio, não poupa nada. Devia ser proibida. É um escãndalo no meio do mundo. É a causa do espantoso medo que é perdê-la. Não escolhi ser quem sou, este vício de que sou escravo. O que mais importa ninguém escolhe.
Já tentei ser tantos para escapar de mim, para me desviar desta vida que me deram. e depois vem a beleza. Surpreendente ao virar de uma esquina. Um desejo marcado no ponto de encontro do aeroporto onde ficaremos para sempre abraçados. Envolta em nevoeiro a tomar duche à minha frente. A irromper do nada.
A primeira coisa que uma qualquer tirania sabe que tem a fazer é demolir a beleza. Com todo o dinheiro, de todas as maneiras.
A beleza semeia a desordem nas almas e nos corpos que anima.
Alimenta-se de uma liberdade particularmente virulenta.
É impertinente. Não conhece regras. Vive da vida e de mais nada.»
hhhhhhhhhhhhhhh
Pedro Paixão, O Mundo É Tudo o que Acontece
Foto: Pedro Paixão

2 comentários:

Passiflora Maré disse...

O P.P. tem razão, a beleza nunca se esconde. E não se escondendo provoca admiração, orgulho, e desencadeia sentimentos e conflitos....
Mas, quem poderia viver sem a beleza das mãos, ou do queixo de um homem, do corpo ou face de uma mulher, de um dia de sol em Dezembro, de uma magnólia em Fevereiro...?

AugustoMaio disse...

A foto é do autor (do livro...).
O livro, acabado de publicar, tem esta interessante informação no final: "O Mundo É Tudo o que Acontece, de Pedro Paixão, livro da série língua comum, publicado por Quetzal Editores, foi composto em caracteres Sabon, originalmente criados em 1967 pelo alemão Jan Tschichold (Leipzig, 1902 - Locarno, 1974)em homenagem ao trabalho tipográfico de jakob sabon (1535 - 1580), e inspirados nos tipos desenhados por claude garamond (Paris, 1480 - 1561)..."