domingo, 13 de abril de 2008

POEMA do DIA

Sinto o domingo no ar
Da flava manhã de Abril,
Como uma essência subtil
Que tudo vem perfumar.

Vibrante, na manhã d'oiro
Canta um sino festival.
Vem deste domingo loiro
Não sei que eflúvio pascal...

E as encostas que eu distingo
Além, o prado florido,
Tudo me parece ungido
Dum não-sei-quê de domingo...

ROBERTO DE MESQUITA
Ar de Dia Santo, Almas Cativas

3 comentários:

domingo loiro disse...

Meraviglioso!

ao domindo fez-se luz disse...

"Mas as palavras esgotam-se no escuro"
Quando acordei,fui direita à saleta do meu fiel e velho piano que logo estalou agoiro
Não recuam as paredes, nem sobem os tectos
Paira uma revolta de Adaga em MÃO DE MOIRA!
"Há entre as peças
e o mar cumplicidades de que só
quem joga estima o peso em cada lance"
Rebente-lhe MESMO a mão!

Já dizia Pessoa:
"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o MELHOR DO MUNDO são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca."

Por tudo isto,
"(…)Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
EU,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa
ou que um seixo na praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
(…) Por isso estoicamente, mansamente,
resistente a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.

António Gedeão
"Poema para Galileo"

manhã disse...

Com a luz, com a cal
do verão entornada pela casa,
com essa música
tão amada e bárbara,
com a púrpura correndo
de colina em colina,
fazer uma coroa -
e de lágrimas cheia a taça
sagrar-te princípe da vida.

Eugénio de Andrade, Matinalmente