quinta-feira, 17 de abril de 2008

Coimbra, 2006


13 comentários:

Anónimo disse...

Celas não é Coimbra.

A M disse...

Claro que nâo. Deus nos livre. celas é um sítio onde se colocam os malandros e outros espertos. E Celas é uma zona de quintas próxima da urbe coimbrã.

Quanto à fotografia, é Coimbra. Sob pena, acrescento, de nada o ser (o restante é Baixa e Alta, não Coimbra).

E não ir encimar a foto com o nome do homem. Esse que nem pátria tinha, coitado...

A M disse...

Errata:

comentário pretérito: deve ler-se "E não ia"

madrugada disse...

Vem uma fresca manhã sobre Coimbra
e eu durmo, ainda
pensando nos teus olhos doces
como se fosses
mais que uma lembrança

madrugada disse...

E o nevoeiro levanta docemente
com a entrega de sempre.
Quer que o dia seja de brilho fino,quer que mais não durma, o menino...

manhã disse...

"Coimbra era um puro acontecer
uma vivência de dentro um exercício
um jogo de metáforas e sintaxes
ó corpos cintilantes diante dos espelhos
cabelos loiros sobre os ombros: cidade
....

Manuel Alegre, Invenção de uma cidade

manhã disse...

Altas torres tem Coimbra
altas torres onde o vento
se veste de lua e cabra
Altas torres que por dentro
são só de som e palavra

...

Altas torres tem Coimbra.

Manuel Alegre, Poema das Altas Torres.

manhã disse...

Coimbra é uma palavra que se escreve
com amigos a partir de cada letra
Diz-se Coimbra e é Largo da Portagem

.....

Quando se chega ao largo da Sé Velha
começa devagar a ser poema

Manuel Alegre, A ponte sobre o l

Anónimo disse...

Sinceramente, acho que a foto só pode ter um significado objecto/observador e quer um quer outro ( para o ora observador da foto ) podem «deslocalizar-se» - em qualquer cidade ou terreola há objectos assim observados e iguais observadores...e por isso também só por isso, pode ser em Coimbra...

A M disse...

Observado (o objecto e o observador) com rigor.

O que, de todo o modo, nada tendo a ver com Celas, pode efectivamente ser Coimbra.

disse disse...

O vento trás o cheiro das castanhas
em Dezembro no Largo de Sansão
o apelo da noite o calor de um regaço
as putas virgens do terreiro da erva
um sabor de pão quente e de cerveja

O vento trás os choupos e as laranjas
os comboios da Europa a estação Velha
o fumo das fogueiras dos ciganos
do outro lado do rio e o lamento
das folhas a cair dos altos ramos
variações em ré menor rolar doa anos

E o que fica de coimbra é esse vento.

Manuel Alegre, Coimbra e o vento.

manhã disse...

Era um quarto no centro
de um verbo intransitivo.
Ou talvez por dentro
de um antigo perdido substantivo.

Era um quarto no cimo do indizível
com muitos livros nas estantes
e um guitarra imprevisível
pendurada nos instantes.

Voltado para a lua
nasciam nele os grandes frios
e aquela torre que flutua
por sobre os rios.

Intensamente uma luz brilhava.
Era o quarto: lá onde a noite se tecia
de música e palavra.

E devagar Coimbra amanhecia.

Manuel Alegre, O Quarto

Anónimo disse...

....
Daquela
Minha janela
Da tal casa tosca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morara nela !
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acáciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu, dom de Deus !
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus
Como dedos apontados
De gigantes enterrados ...
Quem desespera dos homens
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar dos animais,
De humanizar coisas brutas,
Tais e tantas,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for.
O amor, a amizade, e quantos
Sonhos de cristal sonhara,
Bens deste mundo, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixado só, nulo, atónito,
A mim, que tanto esparara
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que a morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver ...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos penhascos, oliveiras e sobreiros,
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncio e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento soão ! obrigado
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado,
Sem eu sonhar, me chegava !
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura ! ... mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que eu vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera.

Toada de Portalegre
(José Régio)