domingo, 23 de março de 2008

manha

Ergo-te os olhos tímidos, anfitriã
Varado dum brusco receio do não
Como se eu fosse Adão, e a maçã
Me impusesse destino e condição

Sacando-me a diminuta liberdade
De mesmo junto a ti, eu não pecar
Como sendo mentira, não verdade
Que penso entregar-me sem pensar

De desculpas do fado não careço
Quando a vontade irmana destino
Sei, de início, a soma que mereço
Na conta em que faço d’adivinho.

2 comentários:

deborahadaza disse...

me gusta mucho el sonido del portugues pero no lo hablo, sin embargo aun asi es un deleite, abrazo

Anónimo disse...

Virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido lar.

Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O sol que tomba, aureolando o Mar
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a graça, a formosura, o luar!

Cantai! Cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas

Que eu vi morrer num sonho, como um ai....
Ó suaves e frescas raparigas,
adormecei-me nessa voz...cantai !

António Nobre