sexta-feira, 28 de março de 2008

caixa vazia

Palavras que ainda oiço agora
deslizam entre
a caixa da costura e os panos.
Abre-se as gavetas em escada,
cheias e ecos.
Os panos estão velhos e corroídos
por um pó azul estelar.
Sei-o porque hoje
bateu no céu o vento como panos.
Devagar abre-se
a caixa da pobreza de Pandora
que nos oferece desde o nascimento
a sua escassez.

FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, Cenas Vivas

3 comentários:

Anónimo disse...

"Nós somos casas muito grandes, muito compridas. É como se morássemos apenas num quarto ou dois. Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas."

António Lobo Antunes

Anónimo disse...

"Sê paciente, espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que o mereça"
Eugénio De Andrade

maravilhado disse...

Grandes dizeres, grandes palavras...