domingo, 4 de fevereiro de 2007

Philip Roth


3 comentários:

éme. disse...

Aha!
É a primeira vez que chego aqui... Vê lá que, logo eu, que gosto de meter o nariz nas páginas todas, nem me passou pela cabeça que andasses por estas paragens em mais de uma portinhola... (leia-se blog, se assim se desejar!)
Ontem houve qualquer coisa que me deixou a pensar que isso de dizeres "no outro blog" sobre o texto em alemão talvez implicasse mesmo um outro teu...
oh, como sou lenta!

Bom... então ao que importa:
Deste senhor só li ainda The Dying Animal ... pois, e no original, para dar com a tradução uns diinhas depois... a passagem do tempo e os sentidos da liberdade...
Agora fico de pulga saltitante na memória de mais leituras a querer conhecer este!!! tsctsctsc... olha as coisas que me arranjas!

augustomaio disse...

Philip!
Tal como o outro, o Swallow, que compreendeu a literatura americana. Quem o conta é David Lodge (Changing Places, 1975).
Assim: "Era assim que o europeu olhava agora a literatura americana: como um espelho, que reflectia a imagem dessa busca. Lembrou Os Embaixadores de James e a exortação de Strether a Little Bilham,nesse jardim que era Paris: Vive... vive quanto puderes; é um erro não o fazer", e sentiu-se ele próprio na pele dos dois personagens, o orador que fizera a descoberta demasiado tarde e o jovem que podia ainda tirar proveito dela. Pensou em H. Miller, sentado com a cerveja à frente num café sujo de Paris, o caderno de apontamentos no joelho e os dedos a cheirar a c...,e sentiu um parentesco longínquo com a imaginação grosseira, irregular e fálica. Nessa tarde entendeu pela primeira vez a literatura americana, sentado no Pierre de Cable Avenue, enquanto a vida em Plotino corria como um rio à sua frente; compreendeu a prodigalidade e o indecoro, compreendeu W. Whitman, que juntava palavras que, fora dos dicionários, nunca ninguém vira umas com as outras, e H. Melville, que fundiu o átomo do romance tradicional, no desejo de transformar a pesca à baleia em metáfora universal, e conseguiu meter à sucapa, num livro dirigido ao público leitor mais puritano do mundo um capítulo sobre o prepúcio das baleias e escapar imune; compreendeu como M. Twain este quase a escrever uma continuação de Huckleberry Finn, em que Tom Sawyer vendia o Huck como escravo, e porque é que S. crane escreveu primeiro o seu grande romance de guerra e só depois conheceu a guerra, e o que G. Stein queria dizer quando escreveu: "tudo o que lembramos é uma repetição, mas existir como ser humano, ou seja, ser, escutar e ouvir nunca o é"

AM disse...

Agora que surgiu o Património apetece voltar às antigas postagens e concordar que fica bem a primeira escolha. Não é um Bernardo Soares, sequer um Fernando Pessoa. Mas é muito grande!