quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

milimetrica mente

milimetricamente
desenho os teus dedos com a minha mão,
rezo aos medos
e deito-me a imaginar a cor do adeus;
depois (sem haver razão)
vejo que já não são os teus

e espero que a manhã venha inquieta
que vista papoilas onde deixei as rosas
e que todas as letras, de todas as prosas
se desfaçam num poema que esqueci;
bem diferente de ti
penso ainda amar o esquecimento

corto então as mãos no meu desenho,
dedo a dedo, medo a medo
sem saber se são tuas se são minhas
(não me amanho...
estou farto de adivinhas)
e as palavras que misturo neste verso
todas são falsas sem o teu regresso

resta que a cama sonhe em meu lugar
um terraço de sereias cor da sorte;
junto ao mar
desfaço sempre a meias
meia morte

e fico mais à espera. agora que a noite se revolte
e nunca aceite palavras por murchar

(não há sorte melhor q' esperar sem história)

não quero nada maior que a memória.

13.08.2009, inicialmente no cimento

5 comentários:

Anónimo disse...

100 palavras.

Anónimo disse...

Bem comentado.

Petra Maré disse...

BELÍSSIMO!

jose eusebio disse...

Por acaso, deste até "eu" gosto bastante.

vencer a morte disse...

e desfaço sempre a meias meia morte.
Ah! maravilha