sábado, 31 de janeiro de 2009

JANEIRO

Há uma ténue neblina, ingrato escol de um começo;
promessas a quem advinha, em rol, com que despeço
os restos gastos, os impróprios, de um ano já antigo
e me juro - faustos solilóquios - ser melhor comigo.

O calendário dobrou da folha e por completo.
Vagueio-me pelo futuro e sonho que desperto
a ouvir a pergunta infinda e funda de Neruda
entre o Dezembro e o Janeiro que mês muda?

Dias pequenos como a vontade de esperar três centenas
(dias curtos, metade, são melhores para cumprir penas).
Deito-me cedo - perdi o medo - à espera de um Fevereiro:
E no ano todo vou andar ao arremedo. Todo, por inteiro.

4 comentários:

gostei disse...

Muito bem escrito.

egoísta disse...

entre o mês de dezembro e o de janeiro fica aquele mês que cada um escolhe só para si
assim sendo não posso dizer dado que o meu é só meu...

AugustoMaio disse...

O seu a seu dono:

"Y cómo se llama ese mes
que está entre Diciembre y Enero?

Como qué derecho numeraron
las doce uvas del racimo?

Por qué no nos dieron extensos
meses que duren todo el año?

No te engañó la primavera
con los besos que no florecieron?"

Pablo Neruda, Libro de las preguntas, XLVI

Egoísta disse...

obrigada caro Augusto por não ser egoísta como eu, e claro pela releitura do poema

Pablo de Neruda Grande Poeta