quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mas Que Sei Eu

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha

qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo (1933 - 1978)
Todos os Poemas, II

3 comentários:

nada disse...

Nada!!!

Passiflora Maré disse...

Sei que me levanto segunda-feira a resmungar e de repente no fim de sexta-feira só penso em descansar.
Fazem-nos sempre falta poemas sobre o tempo!
Muito Belo,
o poema do Ruy
Belo!

Dedalus disse...

E será que alguém sabe?!