sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O que tens

tens uns olhos ..... que levas tracejados a negro,
quando enfeitas a noite em reflexos de cristal vidrado
eu olho-te, fingindo-me destemido, mas a medo,
quando sorris de leve e te sinto respirar a meu lado
fica-te bem, muito bem, o ...... que dá ar de liberdade,
fica-te tudo bem no corpo que respira perfeito, inteiro
estar aqui, por muito que não fora, já cheira a saudade
e ao sonho que, se parte, não esquece o feiticeiro
como podes ser tão subtil no cada gesto que inventas...
como podes desacalmar o meu mar de tormentas?
não insinuas; e é isso que me teme a separação,
me angustia
como, sem seres minha, já me fosses traição
os teus olhos têm a cor dos lábios quando se humedecem
e apetece pintá-los com a língua,
fingindo que se beijam, suavemente
os teus lábios têm o brilho dos olhos quando desvanecem
e queremos cantá-los, olhando, à míngua,
possuindo (como tê-los permanentemente)
confundo-te com uma estátua de modelo;
com um poema heróico, incompleto no prelo.

(29.12.2007)

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