quarta-feira, 24 de setembro de 2008

the name was writ in water

Com o poema As Cinzas de Gramsci, Pier Paolo Pasolini (além de deixar em crise a sua cultura política de referência, ao exprimir um desejo de justiça que se não bastava com a questão das desigualdades económicas) realça a intensidade poética de um recanto de Roma, o "cemitério dos ingleses" ou dos "acatólicos", onde estão supultados, além daquele e outros, Shelley e Keats.
A lápide sem nome deste último tem uma célebre inscrição, obra-prima romântica:

This Grave
contains all that was Mortal,
of a
YOUNG ENGLISH POET,
Who,
on his Death Bed,
in the Bitterness of his Heart
at the Malicious Power of his Enemies,
Desired
these words to be engraven
on his Tomb Stone
"Here lies One
Whose Name was writ in Water"

(Este túmulo/contém os restos mortais/de um/jovem poeta inglês/que/no seu leito de morte/na amargura de seu coração/pelo poder malévolo de seus inimigos/ pediu que estas palavras fossem gravadas/sobre a sua pedra tumular:/"Aqui jaz alguém/cujo nome foi escrito na água.")
ghggggghhgg
Uma outra inscrição, afixada numa parede próxima, diz o seguinte:

Keats! If thy cherished name be "writ in water"
Each drops has fallen from some mourner's cheek.

(Keats! Se o teu amado nome foi escrito na água, cada gota caiu do rosto de quem te chora)
nnnnnnnnnnn
Corrado Augias, Os segredos de Roma, Cavalo de Ferro, 2007

3 comentários:

Dedalus disse...

Maravilhosa lápide, a celebrar a "vida" de um grande poeta. Maravilhosa e sentida resposta.

Passiflora Maré disse...

BELO, muito belo.
A poesia escrita em lágrimas ou com elas.

J K disse...

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
Sozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
Sua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
E a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
Úmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
Rapidamente desvanescendo também.

Eu encontrei uma dama nos campos,
Tão linda... uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
E selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
E braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
E suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
E nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
Uma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
mel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse...
"Verdadeiramente eu te amo."

Ela me levou para sua caverna de fada,
E lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
Com quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
E lá eu sonhei...Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
Nesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
Pálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram..."A Bela Dama sem Piedade
Tem você escravizado!"

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
Abertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
Nesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
Sozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Keats

(tradução de Izabella Drumond)