sexta-feira, 8 de agosto de 2008

E agosto é todo o ano para mim

As plantas acenavam ao vento de agosto, nas suas hastes finas e verdes. E disse-me a mais faladora de todas, alta e trigueira:
- Dás-me dez anos da tua vida?
Eu só tinha cinco anos, pus-me a contar pelos dedos, vi que ia ficar com muito pouco.
- Dou -disse eu.
E ainda hoje, que nunca mais soube de mim, vou com o vento, balouçando. E agosto é todo o ano para mim.
gkgkgkjgkkkgkgk
Ruy Belo, Todos os Poemas

4 comentários:

Anónimo disse...

Uma maravilhosa oportunidade.

quem me dera poder dar! disse...

Poema lindíssimo.
Aos 5, fica-se com poucos!
Aos 50,apetece dizer ao tempo que pare o contador de tempo,já que não pode aceitar a oferta:10,15,ou 20...em favor daqueles que TUDO deram...até o TEMPO!!!

Passiflora Maré disse...

Muito belo.
Caro Augusto, só começamos a ter estes subtis encantamentos ou desencantamentos com o tempo aos quarenta, outros para lá dos quarenta e cinco, outros aos cinquenta, e os protegidos pelos deuses depois dos 60.
A Juventude desperdiça o tempo e não dá importância à vida.
A última frase é minha, mas a ideia lia em qualquer lado.
É certo que não fiz a pergunta que esteve subjacente ao meu comentário, já que o seu perfil não ajuda.

Subtileza... disse...

Sabe que até há quem diga,que
"Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade"