domingo, 6 de julho de 2008

António Dacosta

A LUZ
A pedra que reluz
Este som
A corda que o fere
Este lenço
O teu
Aquele todo branco
No escuro da porta

Era só branco

E tu desaparecias.

A Cal dos Muros, Poemas Açorianos

(O António era, antes de mais, um modo de estar no mundo, um jeito de andar, ao mesmo tempo preguiçoso e lesto, uma voz sussurrada que podia oscilar entre a observação mais grave e o mais límpido riso, a coincidência natural entre aquilo que de facto era e aquilo que parecia, que se inscrevia já, como uma imagem que à pele se colava, em cada gesto que fazia, em cada olhar, cada palavra que dizia, naquela economia de viver. António tinha ganho aquilo que é mais raro e mais difícil: um rosto - Bernardo Pinto de Almeida, apresentação d' A Cal dos Muros)

2 comentários:

Dedalus disse...

Um homem que ganha um rosto, ainda mais na serenidade e mansa lentidão merece o nosso profundo respeito. Oportuno post.

Anónimo disse...

Gostei muito.