sábado, 5 de julho de 2008

arrepio há idos anos

Inteirei-me daquele momento único
Em que a tua passagem me arrepiou.
O que daí é meu? O que será teu…
Não há modo de inventar quem ditou

Resposta? Certo é que os anos incertos se perderam sem ela
Como quem desespera a olhar o infinito duma trôpega janela

Gostava que tu gostasses de pensar o mesmo
Que a tua vida tivesse as mesmas saudades
Que nenhum de nós fosse capaz de recompor
O castigo daquela troca de olhar

Talvez me transforme em castigador
E me convença, amor, que é tudo amor

Sim: só porque é teu
Só porque, na tua boca vermelha, é céu
O que imagino em cada esquina do caminho
Em cada dia que fatigo
Em cada espaço de seguido
Sem sentido.

e. u. m., P. I.

6 comentários:

Anónimo disse...

Bonito, o poema de eterna romaria de saudade e...posse.

Marta disse...

Ás vezes, faço essa mesma pergunta: "será que tudo isto faz sentido?"...
E ando em círculos....
Obrigada pela visita ao meu blog -
até já
Beijos e abraços
Marta

Passiflora Maré disse...

Um castigo afagado, é o que é, caro Augusto.
A novidade.
A paixão dos verdes anos.
Os olhares marcados para sempre na alma. Sem redenção...
Que seríamos nós ao aproximar dos cinquenta se não tivessemos sido jovens.
Agora noutro prisma: pasmei com a
explícita lucidez da etiqueta.

Anónimo disse...

AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Anónimo disse...

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade

Lyra disse...

Olá,

Chegou a altura de eu tirar umas férias :O)))

Entretanto deixei, no meu blog, um “presente” para todos os meus amigos. Espero que gostem!

Tudo de bom para ti.

Beijinhos e até breve.

;O)