sexta-feira, 2 de maio de 2008

quadrinhas do Maio

Deixa-me fugir de exilado
Só por um mês e neste Maio
Que o coração assim parado
Rebenta-me se eu não saio

Prometera-te o esconderijo
E assim me tenho ficado
Mas mais não consigo e finjo
Que te manténs ao meu lado

A luz de Maio é intensa
E eu temo não a beber
O coração que só te pensa
É um coração a sofrer

Sei que te posso imaginar
Mas isso só, já me cansa
Se não me vieres libertar
Afogo-me nessa esperança

Rogo-te por Maio, peço
Vem beber da mesma cor
Bem sei que o não mereço
Mas é mesmo isso o amor

6 comentários:

Anónimo disse...

O que fazer entre um orgasmo e outro, quando se abre um intervalo sem teu corpo
Onde estou, quando não estou no teu gozo incluído ?
Sou todo exílio?
Que imperfeita forma de ser é essa quando de ti sou apartado ?
Que neutra forma toco, quando não toco teus seios, coxas e não recolho o sopro de vida da tua boca ?
O que fazer entre um poema e outro, olhando a cama, a folha fria ?
É como se entre um dia e outro houvesse o vago dia cinza, vida igual a morte, amortecida.
O poema, avulso gesto de amor, é vão recobrimento de espaços.
O poema é dúbia forma de enlace
substitui o pénis
pelo lápis
- e é lapso.

Intervalo Amoroso, de Affonso Romano Sant'Ana
Do anónimo dos psis -em jeito de pena (menos ) suave

não anónimo disse...

Ao jeito do Remédios, diria que o poema até é um bom poema.
Quanto à necessidade... calo-me (que cada qual sabe de si e nem o Remédios sabe de todos).
O que me acautela é a troca do lápis, uma espécie de confusão entre a obra prima do mestre e a prima do mestre de obras. Fico-me por esta...

Anónimo disse...

Para além de não saber quem é o "Remédios", o poema é só um poema de amor -poema em intervalo de amor...

o mesmo disse...

O Remédios - se lembro - era uma espécie de lápis azul, ainda que no sentido humorítico. O mais do comentário igualmente o é.
Por outro lado, sempre se fica "agarrado" às primas e se esquecem anseios de arte. Mas são opções válidas.
O poema, isso é certo, é um grande poema.

Anónimo disse...

Se tivesse a certeza dos seus dizeres(belo poema)...pensando em mim...ainda arriscava!

Anónimo disse...

Bem, há sempre um risco...
E há sempre um altura para se ver que o risco não vale a pena.Creio que essa altura chegou.
Até..