domingo, 18 de maio de 2008

É. É mesmo ele. De outros tempos...

Custou encontrar, mas encontrei.
Foi a referência que motivou a busca.
Os tempos estão outros...
Em edição única e limitada e,
agora, em versão não integral.
Mas é...


Não sei de que fugíamos.
.................

Seja como for, a cidade
predispunha-se, aceitava calmamente
pequenos gestos de ternura,
delírios de morte apenas.
Zé dos Ossos, Trianon - os nomes
que decorei, enquanto fugíamos
da calúnia dos vinte anos.

As tardes no jardim, um pouco lúgubres,
pronunciavam a costumeira subida:
jantávamos os dois por setecentos escudos,
mesmo ao lado da taberna que não tinha mesas.

Saía barato, o amor. Por não sabermos,
ainda, que teríamos de o pagar a vida inteira
com juros aziagos e versos de demora.

Manuel de Freitas, Rua de Montarroio

Juros de Demora, Assírio & Alvim

2 comentários:

ViriatoFCastro disse...

Houve, de qualquer modo, a competente interpelação à poesia devedora? É que para haver mora... Ossos do ofício e trocadilhos inocentes, apenas. Um Abraço fraterno de quem já pensa nos próximos ledos encontros de boa tertúlia.

fado disse...

Habituou-se a caminhar
sob os plátanos, diluindo
ressacas e lembranças imperfeitas.
Pouco teriam em comum.

foi num bar, o primeiro
encontro, em lados diferentes
mas não opostos do balcão.
.................

Não dormiram logo juntos.
Mas ficou a dever-lhe um rasto
de esperma feliz, na cama
em que morria só. Ao seu lado,
Berkeley, Wittgenstein, Espinosa,
páginas de um curso que não queria
e que nem ao menos lhe sujava as noites.

(....)

Manuel de Freitas, Fado Menor