quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vila de Nordeste, 1990


8 comentários:

Anónimo disse...

A última fronteira?

Anónimo disse...

"Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos -
Haja"

Alberto Caeiro, Poesia

Anónimo disse...

"Queria de ti um pa´s de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma"...

M. Cesariny, Manual de Prestidigitação.

Anónimo disse...

Era verão, havia o muro.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei: devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar.

Anónimo disse...

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
Não aquece nem ilumina.

Carlos Drummond de Andrade

A M disse...

A fotografia talvez não seja má, passe o elogio. No entanto, o que é mesmo maravilhosa é a Vila de Nordeste, virada directamente ao nascer de cada dia, fantástica.

Anónimo disse...

FELICIDADE

"acorda com as mãos em concha
a defender a sombra onde fez casa
e permanece sentado. os dias passam
na sua claridade e ele, imóvel,
doente de palavras, não as suporta, não servem para nada. imóvel,
não quer mais sentir-se ferido,
ameaçado. dorme e acorda
dessa inactividade. espera.
e expectante crê que um dia
a luz há-de encher o quarto.
não se consegue levantar, não
consegue senão a consciência
desse instante vago, olhos fixos
no soalho ou rente às paredes
da casa, atento às sombras a quem,
horror, sorri. assim o encontram
dias mais tarde. como se estivesse
a rezar. ele, cuja metafísica
era saber que as palavras não são
suficientes para nos tornar mais tristes".

Carlos Bessa, Em partes iguais.

A M disse...

E tu Nordeste, será que vão dizer não seres que és;
Ficaria a teus pés,
castigado pela ousadia
porque em tanto dia

me mostraste o rumo.