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domingo, 4 de outubro de 2009

O Jardim do Éden

"A caminho daqui vi coisas maravilhosas para pintar, mas nunca soube pintar. Sei de coisas maravilhosas para escrever e nem sequer consigo escrever uma carta que não seja estúpida. Nunca quis ser pintora nem escritora até chegar a este país. Agora, é como estar-se sempre esfomeado e não haver maneira de o remediar."

O Jardim do Éden
Ernest Hemingway
Colecção Mil Folhas
Julho de 2002
Tradução de Ana Maria Sampaio

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Malcolm Lowry


A república é atravessada, mais ou menos de norte a sul, por duas cadeias de montanhas que formam entre ambas um bom número de vales e de planaltos. Sobranceira a um desses vales, o qual, por sua vez, é dominado por dois vulcões, ergue-se, a uma altura de seis mil pés acima do nível do mar, a cidade de Quauhnahuac. Fica bastante a sul do trópico de Câncer, ou, para falar com mais exactidão, no paralelo 19, quase à mesma latitude a que, a oeste do Pacífico, se encontram as ilhas Revillagigedo, ou, ainda mais a oeste, a ponta mais meridional do Havai e, para leste, o porto de Tzucox, situado na costa atlântica do Iucatão, perto da fronteira das Honduras Britânicas e, finalmente, muito mais para leste, na baía de Bengala, a cidade indiana de Juggernaut.
As muralhas da cidade, que se encontra edificada numa encosta, são altas; as ruas e os becos, tortuosos e arruinados; as ruas, coleantes. Possui uma bela estrada de tipo americano, que vem do norte e acaba por se perder em ruas estreitas, degenerando finalmente num verdadeiro caminho de cabras. Quauhnahuac possui dezoito igrejas e cinquenta e sete bares.
kkkkkkkkkk
Debaixo do Vulcão, tradução de Vigínia Mota
Edição Livros do Brasil, 2002

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Marguerite Yourcenar



Henri-Maximilien Ligre poursuivait par petites étapes sa route vers Paris.
Des querelles opposant le Roi à l'Empereur, il ignorait tout. Il savait seulement que la paix vielle de quelques mois s'effilochait déjà comme une vêtement trop longtemps porté. Ce n'était un secret pour personne que François de Valois continuait à guigner le Milanais comme un amant malchanceux sa belle; on tenait de bonne source qu'il travaillait sant bruit à équiper et à rassembler sur les frontières du duc de Savoie une armée tout neuve, chargée d'aller ramasser à Pavie ses éperons perdus. Mêlant à des bribes de Virgile les secs récits de voyage du banquier son pére, Henri-Maximilien imaginait, par-delà des monts cuirassés de glace, des files de cavaliers descendant ver des grands pays fertiles et beaux comme un songe: des plaines rousses, des sources bouillonnantes où boivent des troupeaux blancs, des villes ciselées comme des coffrets, regorgeant d'or, d'épices et de cuir travaillé, riches comme des entrepôts, solennelles comme des églises; des jardins pleins de statues, des salles pleines de manuscrits rares; des femmes vêtus de soie accueillants au grand capitaine; toute sortes de raffinements dans la mangeaille et la débauche, et, sur des tables d'argent massif, dans des fioles en verre de Venis, l'éclat moelleux du malvoisie.

Gabriel García Márquez



Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo. macondo era entonces una aldea de viente casas de barro y cañabrava construidas a la orilla de un río de aguas diáfanas que se precipitaban por un lecho de piedras pulidas, blancas e enormes como huevos prehistóricos. El mundo era tan reciente, que muchas casas carecían de nombre, y para mencionarlas había que siñalarlas con el dedo. Todos los años, por el mes de marzo, una familia de gitanos desarrapados plantaba su carpa cerca de la aldea, y con un grande alboroto de pitos e timbales daban a conocer los nuevos inventos. Primero llevaron el imán. Un gitano corpulento, de barba montaraz y manos de gorrión, que se presentó con el nombre de Melquíades, hizo una truculenta demonstración pública de lo que él mismo llamaba la octava maravilla de los sabios alquimistas de Macedonia. Fue de casa en casa arrastrando dos lingotes metálicos, y todo el mundo se espantó al ver que los calderos, las pailas, las tenazas y los anafes se caían de su sitio, y las maderas crujían por la desesperación de los clavos y los tornillos tratando de desenclavarse, y aun los objetos perdidos desde hacía mucho tiempo aparecían por donde más se les había buscado, y se arrastraban en desbanda turbulenta detrás de los fierros mágicos de Melquíades.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gripe, a espanhola

Agora vende-se a preço de saldos, porque entrou neles antes de tempo, ou o tempo se esqueceu que a história sempre se renova. Escrito por Reina James (cujos avós também morreram na epidemia), é o primeiro romance histórico sobre a última (então) pandemia na Europa. Escreve-se na capa que "se todos os mortos de gripe espanhola segurassem uma vela, a terra, vista do ar, era uma bola de fogo". Mas não é apenas um romance de desgraça ("- Está um homem azul caído na estrada! A princípio não o percebi, mas comecei a ver uma multidão a juntar-se. Por isso saí e fui espreitar. Quando me viram desviam-se. Acontece muito, onde quer que um corpo esteja: as pessoas vêem-me e afastam-se, recuam. O rapaz seguiu-me por entre a multidão. Apontou para o homem caído, meio atravessado sobre o passeio e a estrada. - Veja, está azul! E estava. lábios e orelhas eram de azul-arroxeado, cor de ameixa. a pele do rosto estava manchada e pálida, mas também tingida de azul, como se tivesse sido açoitado por um trapo azul sujo de tinta. teria uns trinta e cinco anos ou perto disso, estava descalço, sem meias nem sapatos, e também não vi nenhum chapéu, nem na cabeça nem perto dela"), mas de poesia ("O poema afectou-me muito. Encontro-me em bosques profundos/Entre dois crepúsculos/O que quer que eu seja ou possa vir a ser/Escrevam à Luz que existe em mim/Eu sou eu e estes são os meus actos/ Eu sei que os caminhos são escuros/ Entre os dois crepúsculos") e de paixão: Henry, um cangalheiro que repara no aumento diário dos seus clientes, é um homem sem mulher, dominado por mulheres e Allen uma mulher sem homem, num mundo de homens. nenhum deles está habituado a apaixonar-se. "Epidemia é um retrato do quotidiano durante uma pandemia - uma gripe para a qual a ciência não tinha resposta. é o retrato absorvente de uma época em que o medo de morrer e o desejo de acreditar na vida se misturam".
Afinal, está tudo na literatura!
nnnnnnnnnn
Epidemia, Um tempo para viver, Reina James, Dom Quixote, 2007

O Leilão do Lote 49, Pynchon



Thomas Pynchon é um escritor genial, que, por vontade própria, se esconde do mundo há décadas. Em 1963 foi publicado um dos seus mais aclamados romances, V, e logo considerado de um tipo inovador, como tinha sido a escrita de Joyce ou Beckett. Espera-se fervorosamente a publicação, em breve, de um novo livro. Entretanto, foi feita uma nova tradução portuguesa do seu "O leilão do lote 49" (Relógio D'Água), o romance em que Oedipa é feita testamenteira dos bens do seu antigo amante (um tal Pierce Inverarity) e em que, no cumprimento dos seus deveres do cargo, descobre estranhas revelações. No último suplemento do Expresso dá-se nota da contínua actualidade e beleza deste livro (texto de Rogério Casanova, pontuação cinco estrelas) e, além do mais, diz-se que "uma passagem (na pág. 10 desta edição) continua a parecer-me o naco de ficção mais bem pontuado de todos os tempos". Aqui fica a passagem: "Contudo, tinha acreditado nos carros. Excessivamente, talvez: e como poderia ter sido diferente, quando via dirigir-se-lhe toda aquela gente ainda mais pobre do que ele, pretos, mexicanos, brancos, uma multidão sete dias por semana, trazendo para troca as carripanas mais inverosímeis: verdadeiros prolongamentos metálicos e motorizados deles próprios, das suas famílias, reflexo do que haviam sido as suas vidas, que eles punham a nu, ali, diante de um estranho como ele, para que as examinasse, chassis amolgados, cheios de ferrugem, guarda-lamas com cores que as tornam invendáveis e para desencorajar Mucho, e o interior cheirando desesperadamente a crianças, a aguardente dos supermercados, a duas e a três gerações de fumadores de cigarros, ou simplesmente a pó - e, limpo o interior dos carros, era preciso examinar os resíduos destas vidas, e era impossível distinguir entre aquilo que tinha verdadeiramente sido rejeitado (e supunha que por medo se guardava o pouco que aparecia) e aquilo que muito simplesmente (talvez tragicamente) tinha sido perdido: talões agrafados oferecendo descontos de 5 a 10 cêntimos, bilhetes, propaganda de baixa de preços em supermercados, beatas, pentes desdentados, ofertas de empregos, páginas amarelas arrancadas de listas telefónicas, farrapos de roupa interior ou de vestidos fora de moda que serviram para desembaciar uma pára-brisas para que se pudesse ver o que havia para ver, um filme, uma mulher ou um carro que se cobiçava, um chui que talvez o levasse dentro porque não tinha mais nada para fazer, ninharias todas elas envoltas invariavelmente, como uma salada de desespero, num condimento cinzento de cinzas, de gases concentrados de escapes, de poeira, de desperdícios humanos - ficava doente só de olhar, mas tinha de olhar."

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Crónica do Rei Pasmado



















O corpo de Marfisa tinha ficado meio a descoberto: deixava ver a cabeleira, as costas, a fina cintura, o arranque das nádegas. O Rei fitou-a. Com surpresa, com estupefacção.
- Viste coisa mais bela?
- Há muitas coisas belas no mundo.
- Mais do que o corpo de uma mulher?
- Se é o de Marfisa, dificilmente.
- Até ontem à noite, nunca tinha visto uma mulher nua.
- E então?
- O paraíso tem que ser uma coisa semelhante.
O conde torceu o nariz.
- Não creio que os senhores inquisidores aprovassem essa ideia.
- Que saberão os senhores inquisidores de mulheres nuas?
- Segundo eles, tudo.
O Rei já se encontrava meio vestido. O conde pediu a Lucrécia uma bacia com água fresca. O Rei começou a remexer na escarcela.


EDITORIAL CAMINHO
Gonzalo Torrente Ballester
Título original:
Crónica del Rey Pasmado

Tradução de António Gonçalves
(C) Gonzalo Torrente Ballester, 1989


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Exploradores do Abismo

Acreditava que os meus exploradores vinham daí, até que, há umas semanas, encontrei acidentalmente a frase que tinha atribuído a kafka e descobri que não se aproximava da que ele dissera. A verdadeira frase era esta: "Quanto mais os homens caminham, tanto mais se afastam da meta. Gastam as suas forças em vão. Pensam que andam, mas só se precipitam - sem avançar - no vazio. É tudo."
Portanto, não havia nenhum explorador na frase kafkiana, e ainda menos do vazio. A confusão, seguramente, tinha-se verificado porque o título desse artigo era "Explorador que avança" e, possivelmente, eu modificara a frase de kafka como me convinha para que tudo batesse certo com o título do artigo.
Mais do que precipitar-se, os meus exploradores detêm-se em determinados limiares e, antes de se despenharem, dedicam-se a dissecar o abismo, a estudá-lo. No fundo, têm um sentido festivo da existência, e jurar-se-ia que ouviram estes versos de Roberto Juarroz que encontramos na sua Poesia Vertical:
Às vezes parece
que estamos no centro da festa.
No entanto
no centro da festa não há ninguém
No centro da festa está o vazio
Mas no centro do vazio há outra festa.

Enrique Vila-Matas

Bright Lights, Big City

You are not the kind of guy who would be at a place like this at this time of the morning. But here are you , and you cannot say that the terrain is entirely unfamiliar, although the details are fuzzy. you are at a nightclub is eitther Heartbreak or the Lizard Lounge. All might come clear if you could just slip into the bathroom and do a little more Bolivian Marching Powder. then again, it might not. A small voice inside you insists that this epidemic lack of clarity is a result of too much of that already. the night has already turned on that imperceptible pivot whwrw two A. M. changes to six a. M. You know this moment has come and gone, but you are not yet willing to concede that you have crossed the line beyond which all is gratuitous and the palsy of unraveled nerve endings.

Jay McInerney

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Estética da incompletude

Com este livro, como anuncia a Guimararães Editores, tem início a publicação da Opera Omnia de Agustina Bessa-Luís e os volumes seguintes constituirão a sua edição ne varietur.
O Dicionário Imperfeito surgiu de uma ideia de Alberto Luís e de um desafio recente de Paulo Teixeira Pinto e Miguel Freitas da Costa. Na concretização do projecto - como se vinca na Nota Editorial - foram procuradas ideias-chave, figuras, trechos significativos da Obra de Agustina e, depois, recortados e agrupados, com recurso à técnica de entradas, própria de um dicionário.
Embora limitado, desde logo pela exclusão da ficção, Imperfeito assim, pretende proporcionar uma sugestiva iniciação à surpreendente Obra desta autora.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Estações


"Desde há cerca de trinta anos, os leitores das Estações formam uma espécie de confraria de iniciados. Partilham um mesmo universo; utilizam a mesma linguagem, as mesmas imagens de referência; conhecem-se e reconhecem-se entre si, um pouco como os leitores de Malcolm Lowry ou de Júlio Cortázar" - da contracapa, na edição portuguesa de 1994 (Publicações Dom Quichote).


Depois de se anunciar com a frase de Georges Schehadé Tanta magia para nada Se não fosse essa lembrança de um outro mundo, começa assim a primeira parte: Ele chegou pelo caminho do desfiladeiro, cerca do décimo-sexto mês do Outono, que por lá chamávamos: a estação podre. Foi a Louana a primeira a vê-lo, e, mais tarde, quando o Conselho se reuniu para deliberar sobre o caso do estranho, ela interveio para reivindicar esse primeiro olhar. Ela tinha aquela cara de criança mongol, risonha, escarlate, que não era da região; tinha entoações estranhas que faziam que se ouvisse sempre com espanto o que ela dizia - Maurice PONS, Estações... Um livro maravilhoso

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Pergunto-me...



Pergunto-me porque é que não me mato? Pergunto-me porque é que me pergunto, depois digo para comigo que não devo pensar assim e acendo um cigarro.

Filmes Tristes, Mark Lindquist

sábado, 19 de julho de 2008

O Outro Que Era Eu

A cidade de noite está acordada, como os gatos nas vielas, procura recolher-se a uma luminosidade íntima. Manipula seus hábitos, conta histórias, passeia, combina com a verdade o que vai acontecer quando daí a pouco a luz inunda os olhos dos bichos e os telhados das casas.
(...)
Ocorre-me o julgamento. Nestas alturas é bom estar na posse de todas as faculdades, mesmo as mentais. Uma defesa do organismo onde se evitam os espasmos da mais variada qualidade: o indigesto das frituras, as conferências de imprensa, os almoços em que o ambiente esteve de franca cordialidade e ainda refugados da véspera com esturgidos de interminável magnésia. Necessidade imprescindível de serviços médicos, isentos de mínima relação social. É defesa minha, do indivíduo que em mim não se quer sindicalizar. Estado de coma. Sem dúvidas, apatia de trãnsito na encruzilhada que me leva para o Outro. E o melhor, para não ter complicações com os agentes de toda a ordem, é marcar hora no consultório do mais distinto médico da cidade - Ruben A.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ambos no original


Para quem gosta de cinema e está interessado em aprender algumas coisas fundamentais sobre filosofia, este ensaio é uma introdução profunda mas amena a algumas grandes questões éticas e nele desfilam tanto os filósofos clássicos como outros mais modernos, exemplificando-se a reflexão a partir de grandes filmes clássicos.

Escrito por Juan Antonio Rivera (Madrid, 1958) professor catedrático de filosofia na Universidade de Barcelona, obteve em Espanha o Premio Espasa Ensayo 2005 e foi editado em Portugal nos finais de 2006 pela Tenacitas.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bloomsday


Parecia ser um dia "vulgar", salvo para James e Nora. Mas acabou por vir a ser um dia imortal.
Com efeito...

Tudo, mas mesmo tudo...

Tudo - que foi imenso - se passou naquele enorme e grandioso dia 16.

16 de Junho de 1904.

Gondelim


Constava do Grande Livro, guardado na Catedral de Godelim, que um guerreiro louco, descido do Norte, matara o urso que rondava aquele alto de pedregulhos, proclamando-se soberano das terras a perder de vista. Mas, a partir daí, só fêmeas se sentariam no trono, cabendo a precedência à que fosse de mais espessa barba, dentre as filhas da monarca reinante.

O reino de Godelim era povoado por gentes que trabalhavam de sol a sol, sachando os campos produtores de trigo e cevada, artigos com que atulhavam os celeiros reais. As rainhas governavam os seus súbditos, com grande tirania, cobrando impostos pesadíssimos, por cada alqueire de cereal que tirassem para seu próprio sustento, e obrigando-os a contribuir, com porcos da sua criação, para o apetite imenso de que padeciam.

Mário Cláudio, com ilustrações de Albuquerque Mendes
Edições Quasi

domingo, 1 de junho de 2008

Um século polaco



Já aqui se falou, pelo menos em duas ocasiões, de um grande escritor checo, Bohumil Hrabal. Trata-se de um escritor muito amado e respeitado, especialmente no centro da Europa e na zona da antiga cortina. Dessa admiração resultou, naturalmente entre outras escritas e diversas pessoas, O Livro de Hrabal (Hrabal Konyve) do escritor húngaro Péter Esterházy. Surge agora a homenagem de um polaco. Pawel Huelle inspira-se na obra do checo para construir uma generosa homenagem (compensando, dizem, o esquecimento da Academia Sueca) a quem “com farrapos de frases e restos de imagens soube criar inolvidáveis mundos nos quais espreita a elegância de Mozart, a força de Beethoven e a melancolia de Chopin”. Mas Mercedes-Benz, Cartas a Bohumil Hrabal (Sopa de Letras, 2008), sendo isso, é mais. É a Polónia do século XX, com a restauração da independência e as ocupações, alemã e soviética, os judeus, o comunismo e a democracia. A Polónia, castigada por todos os que gostam de bater onde a proximidade dá jeito, merece o profundo respeito que nasce do sofrimento e da dignidade. As histórias de uma família e de um País são aqui, em cento e vinte páginas corridas, a história de um século.