Só tu sabes mais que eu
que continuo a mentir-te
com este crime prepotente
de inventar que não te amo.
domingo, 25 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Longe do coração
Deixei o coração no armário mais velho
onde vais sempre recuperar os frescos da primavera
e parti de encontro ao mundo, que um sobressalto
me clarificou em aviso: "deixa-te de poemas e volta ao cimento".
Não sei, agora, que uso tens dado à minha perda, mas
oiço, às vezes, como se no peito usasse um búzio,
que lhe tens contado histórias inquietas, tal como essa
de dizeres que a saudade enobrece, e a outra
que ninguém morre além de na memória dos queridos.
Gostava de acreditar nos teus lábios, mas
nenhuma imprudência acautela o retorno; fico
até que os dias partam ao mesmo tempo
(18.03.2012)
domingo, 11 de março de 2012
Procura..
Agora é vento o meu nome
e não me perguntes nos lugares antigos: fui,
vestido de tempestade, para longe do mar; deixei
os seixos arremessados às ondas,
os gritos das gaivotas, a irritação
do sol debruando a areia. Procura-me
no assobio dos moinhos, nas mãos do pão,
no silêncio com que
as árvores se despedem do dia.
(24.05.2010).
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
um dia fugido
e houve um dia,
completamente perdido num mês indefeso,
em que os olhos se me fizeram lágrimas
só de saber que, desde então,
a saudade era uma capa mais aderente
que a lembrança dos teus modos.
partiste a uma sexta e nem era treze
(infortúnio dos desencontros,
no mapa encomendado das conveniências)
e até a aurora tinha o cinzento
normalizado dos invernos frouxos
e os filhos dos vizinhos (àquela hora...)
soletravam os choros revoltados
dos dias comuns.
se ao menos
fugisses no vento de uma tempestade,
tu que sempre me faiscaste as noites sóbrias!
se ao menos
tivesses deixado o som dos teus lábios,
o doce dessa pele percorrida em desejo.
como um desânimo - afinal.
01/2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
Si (como el griego afirma no Cratilo)
El nombre es arquetipo de la cosa,
En las letras de rosa está la rosa
Y todo el Nilo na palavra Nilo.
Y, hecho de consonantes y vocales,
Habrá un terrible Nombre, que la esencia
Cifre de Dios y que la Omnipotencia
Guarde en letras y sílabas cabales.
(...)
J. L. Borges, El Golem
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
De tanto querer
Queria ser feliz mas nunca muito longe,
estar à mão de recomeçar o tempo
todo, por inteiro;
queria confundir a distância
no reflexo dos teus doces olhos
até perder os lábios no espanto,
lá nas primaveras onde as folhas
nascem para a morte
e uma cantata de Bach me acorda
duma tarde ocre;
queria ceifar os gestos poluídos
e só nos teus braços, nos teus
braços entregar os dias de sol
antes que a noite me carimbe
o vazio que (ainda) nos separa:
Queria
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Noctívagos
Nas primeiras vezes que descia no meu corpo e degustava o meu desejo ela dizia que só a pessoas muito especiais fazia certo tipo de coisas, mas todos os noctívagos sabiam que isso não era assim e muitos deles partilhavam o saber velado em silêncios solidários.
No entanto, aquelas palavras, muito embora fossem falsas e eu tivesse a plena consciência disso, aqueciam-me a alma como a boca dela me aquecia o corpo…
No entanto, aquelas palavras, muito embora fossem falsas e eu tivesse a plena consciência disso, aqueciam-me a alma como a boca dela me aquecia o corpo…
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Agora...
agora que cai a neve no calor da noite
deixo que os olhos fechem o som do tempo
e revolto-me com a escuta dos silêncios
à procura das palavras mortas, de sílabas
escondidas entre andaimes
que livrem o medo do fim. porque
só a desmesura liberta, nesse
arrepio de laços que revolta a incongruência
num beijo sem lábios, num abraço sem braços
na inocente verdade do falso.
domingo, 25 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
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