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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Noctívagos

Nas primeiras vezes que descia no meu corpo e degustava o meu desejo ela dizia que só a pessoas muito especiais fazia certo tipo de coisas, mas todos os noctívagos sabiam que isso não era assim e muitos deles partilhavam o saber velado em silêncios solidários.
No entanto, aquelas palavras, muito embora fossem falsas e eu tivesse a plena consciência disso, aqueciam-me a alma como a boca dela me aquecia o corpo…

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Factura.

“Sei que um dia vou pagar a factura daquilo que te vou dizer, mas tu és mais ateu do que eu…”
Passados alguns anos continuo à espera de uma encomenda, que me permita o envio posterior de uma nota de despesa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Despedida

Abordamos a margem esquerda e ficamos a olhar aquela colina preenchida de casas, suavemente afagadas por um Sol primaveril. Beatriz veladamente despedia-se de mim e daquela urbe. Ela descrevia como esta cidade era cada vez mais confinada, de tal forma que não deixava as pessoas crescerem. “Aqui sinto-me estrangulada. Esta cidade é pequena demais para mim…” Mas a voz dela parecia demasiado distante, de alguma forma embaciada pela lonjura de distantes dias que partilhamos. Eu apenas conseguia concentrar-me na imagem da cidade que se ia enrolando numa espiral ascendente, tentando atingir aquela torre que na realidade apenas a esmagava, como uma serpente que por uma qualquer razão idiota renega o seu corpo e tenta a todo o custo destruí-lo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trigo
















Aquele Natal manifestou-se da forma mais completa que lhe era possível, como se nos quisesse mostrar que ainda havia espaço para o sonho. Trouxe consigo lentas e suaves folhas de trigo maduro.