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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Nascido a 7.11.1913
Albert Camus
Licenciado em Filosofia, a doença impediu de levar mais além a sua carreira académica de professor. Tornou-se jornalista e, com a invasão da França ingressou na Resistência. Quando se dá a Libertação ele é o redactor do jornal Combat. Entretanto, o seu nome subiria ao mais alto patamar das letras francesas e mundiais e, em 1957, a consagração dá-se com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura.
Estrangeiro
Quanto a mim, estava cansado de repetir sempre a mesma história e tinha a impressão de nunca ter falado tanto. Depois de um silêncio, o juiz levantou-se e disse que me queria ajudar, que o meu caso o interessava, e, com a ajuda de Deus, faria qualquer coisa por mim. Mas antes, queria dirigir-me algumas perguntas. Sem transição, perguntou-me se eu gostava da minha mãe. Redargui: "Sim, como toda a gente". E o escrivão que, até aqui, escrevia em ritmo normal à máquina, enganou-se e teve de voltar atrás. Ainda sem lógica aparente, o juiz perguntou-me, então, se disparara os cinco tiros a seguir. Pensei um bocado e especifiquei que disparara primeiro um só tiro e, alguns segundos depois, os outros quatro. "Porque fez uma pausa entre o primeiro e o segundo tiro?", disse ele. Mais uma vez voltei a ver a praia avermelhada e senti na testa a ardência do Sol. Mas, desta vez, não respondi nada.Albert Camus, O Estrangeiro, trad. António Quadros
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