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sábado, 31 de janeiro de 2009

é aos muros derruídos

hhh A tua voz vem dos quintais arrabaldes: estreitos pomares exíguos canteiros poligonados onde as dálias se fanam quando chega o seu tempo. nnn é aos muros derruídos que se encostam os renques de prímulas. nnn o saibro desprende-se com o vento um lençol acena quando doloroso um arrepio percorre esse mundo um cano velho amputado goteja sempre apesar do trapo que lhe entala a boca.hhh adormece-se a gente desta maneira fácil: os ossos doem como se por muito tempo os forçássemos. hhh quem te habitou os dias ganha os poucos dias que restam desvela-se na criação de uma vinha enfezada contorcida que dá um tonel pequeno de vinho azedado.kkk das mansardas debruçadas sobre as traseiras são coisas solitárias que pendem: uma peúga esburacada um lenço uma corda bamboleada de nós muito lassos.
jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj
Mário Cláudio, Janeiro
as máscaras de sábado

domingo, 30 de novembro de 2008

entre as gargalhas e o choro

- Lançamos pernas e braços e as aranhas segregam suavíssimas teias opalescentes. pasmamos do terrível progredir das larvas: seu vulnerado gozo seu dramático instinto de bordar à superfície das folhas incríveis tortuosos itinerários. sabemos a voraz sede do húmus o crepitar das corolas nos vitrais da penumbra. impregnados de seiva debatemo-nos na cabeleira das paramécias ressuantes ao calor. deram-nos o desígnio dos líquenes ávidos o arrasante amor das trepadeiras contíguo ao espadaçar dos músculos. aos artelhos nos soldaram a pungência dos esporões a flora do sexo e das axilas em musgo tresmudada. e as gavinhas resultam das línguas enroscadas o sangue em linfa se precipita. uma orquídea desabrocha: pérfido lampejo entre as gargalhadas e o choro. enfim em nosso ventre a magnólia se espande de esperma cristalizada. contra as carótidas e a espadana nos atira suas lancvetas de incontida cólera.
hhhhhhhhhhhhh
Mário Cláudio, Novembro
as máscaras de sábado

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O tempo da exausta quietude

- Os banheiros arrecadam a lona humedecida pesada das últimas tendas acomodam-se ao canto ratando a côdea de um pão de milho. as vidas adiadas que durante todo o mês esperaram a abertura de vastos continentes essas apressam-se a encerrar sua alma nos caixotes pregados nas maletas de pele que vai esfolando. mas há quem ganhe com tal suicídio: são as aves marinhas claras e gris que retomam agora agora sua pátria invadida. companheiras da chuva concentram-se na areia dura batida e fuliginosa da beira das ondas. é o tempo da exausta quietude.
ffsfdsfdsfsadf
Mário Claúdio, Setembro
as máscaras de sábado

domingo, 31 de agosto de 2008

antes do fim

Aqui somos lado a lado com os ofícios que exercemos: frágeis utensílios enfados horários papéis envelhecidos um cabelo embutido no sabonete uma carta a escrever uma nota à margem. e falas. não supões quanto de atenção te reservo que veias perscruto quando em minhas mãos as tuas tenho que vidas adivinho em teu pulsar.
31 de agosto de 2008
Mário Cláudio, Agosto
as máscaras de sábado