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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia dos namorados (memória)

XXXXXXXXXXXXX Artigo 372.º
XXXXXX O homem casado que achar sua mulher em adulterio, cuja accusação lhe não seja vedada nos termos do artigo 404.º 2.º, e n 'esse acto matar ou a ella ou ao adultero, ou a ambos, ou lhes fizer algumas das offensas corporaes declaradas nos artigos 361.º e 366.º, será desterrado para fóra da comarca por seis mezes.
XXXXXX 1.º Se as offensas forem menores, não soffrerá pena alguma.
XXXXXX 2.º As mesmas disposições se aplicarão á mulher casada que no acto declarado n'este artigo matar a concubina teúda e manteúda pelo marido na casa conjugal, ou ao marido ou a ambos, ou lhes fizer as referidas offensas corporaes.
XXXXXX 3.º Applicar-se-hão tambem as mesmas disposições em iguaes circumstancias aos paes a respeito de suas filhas menores de vinte e cinco annos e dows corruptores d'ellas, enquanto estas viverem debaixo do patrio poder, salvo se os paes tiverem elles mesmo excitado, favorecido ou facilitado a corrupção.
XXXXXXXXXXXXX
Código Penal Português, 1852, Seccção 6.ª (Causas de attenuação nos crimes de homicidio voluntario, ferimentos e outras ofensas corporaes)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Um tal (II)

Uns anos antes, ainda a idade lhe transmitia ao corpo o vigor da mente, perdera-se no Ultramar com a venda de refrigerantes gasosos. Espuma, a sua import-export, dera brado no comércio do pirolito. Durante a visita do almirante, emprestou o espada conversível, para gáudio dos poderes da Metrópole. Hoje, volvidos tantos anos, dá-se a si por certo que foi o começo da desgraça: o veículo faiscava em ambas as portas o anúncio do refresco e, numa transformação fantástica, emitia sonoridades que imitavam o pisar de um rabo-de-gato. Dias depois, recebeu uma missiva timbrada que o responsabilizava pelo desabono dos comentários que as instâncias internacionais, disfarçando ingrato gozo, teciam ao colonialismo lusitano. Foi-lhe acrescentado que os apoios oficiais morriam ali mesmo, como os vapores do gás.

sábado, 27 de dezembro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cruzeiro Seixas II

variação sobre tema diverso, embebido de alteração cromática e com candeeiro de sala encastrado.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

domingo, 5 de outubro de 2008

Um tal (I)

Fazia poesia nos pacotinhos de açúcar, antes de ceder às diabetes. Depois, em jeito de aniquilar o tempo, passou a pintar corações de arco-íris nos – cada dia mais raros – sacos de plástico das médias e grandes superfícies. Quando chegou à centena, abriu uma quermesse num canto vago do Sobral Cid (grande homem…) onde, nas horas sobrantes, ensinava um neurologista a ler os sinais das mãos. Sem grandes êxitos: quando os apoderados passaram unanimemente a calçar luvas, o director clínico deu-lhe ordem de marcha.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Só porque não se revela fácil apartar sonhos de devaneios e, bem menos, agrilhoá-los com a pontuação oficial

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uma névoa que parecia matinal espraiava-se ao longo do rio e as cores acompanhavam céu e terra numa mistura de pastel os seus olhos eram faíscas que sobressaíam da monótona mistura e acompanham o levante caminhou ou como se assim parecesse chegou-se ao meu rosto num beijo que não passou de vontade e só ficou na ranhura dos meus lábios uma gota de orvalho

Quando a lembrança se fez dia, teimei que não havia de lhe prender qualquer pontuação.