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sábado, 23 de maio de 2009

era não mais

o que havia era não mais
- embora imenso -
que uma incandescência d'alma
quando o teu sorriso se imiscuia
nas palavras caladas
e os gestos se reduziam
a um olhar cativo

sexta-feira, 15 de maio de 2009

aviso

aviso-te que os sinos não dobram,
muito que queiras, e não sobram
no altar das bebedeiras mais momentos
que gastos recatos. nem melhores pensamentos
valem os passos dos sapatos. podes crer
que o mundo é colorido, que sempre vais saber
que o perigo é um segundo. E morrer
só apenas (santos dilemas!) o fechar
de olhos de um novo respirar.

tempo decrépito

ainda me abismo com o teu regresso
de todas as horas,
e anseio que os seus minutos
sejam segundos rápidos,
estatelados em partículas ansiosas
por largar do rasto.
o resto é nada.
é que a saudade destrói-me outras memórias
e finjo aguentar os dias
como uma velha folha de calendário
perdida entre as nádegas de um anúncio de pneus
e a teia cadavérica de uma aranha ausente.