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domingo, 7 de junho de 2009

Preceitos da regra de vida pitagórica

Honra primeiro os deuses imortais segundo a ordem estabelecida
pela lei, e respeita o juramento. Honra em seguida os heróis
ilustres e, como prescreve a lei, as divindades subterrâneas.
Honra também os pais e os parentes próximos.
Dos outros homens, faz teu amigo o mais virtuoso.

Não desprezes a saúde do teu corpo, mas
fá-lo beber, comer e exercitar-se com medida.
Chamo medida áquilo que não te incomoda.
Acostuma-te a ter uma vida limpa e simples.

Que o sono doce não desça sobre os olhos
antes de três vezes cada um examinar as acções do dia.

Saberás que os homens escolhem por si mesmos os seus males
livremente. Eles não vêem nem ouvem os bens
que estão perto e raros aprenderam a libertar-se dos males.
Tal é a sorte que perturba o espírito dos mortais: eles rolam
em várias direcções atormentados por males sem fim.
A funesta Discórdia, companheira natural, fere-os às ocultas.
Não deves provocá-la, mas evitá-la, cedendo-lhe a passagem.

Abstém-te dos alimentos de que falámos nas Purificações
e ordena cada coisa pensando na Libertação da alma,
tomando como guia no alto o espírito superior.
Se, abandonando o corpo, chegares ao éter livre,
serás um deus imortal, incorruptível, da morte liberto.

Pitágoras, VERSOS DE OURO
(Antologia da Poesia Grega Clássica, tradução e notas de Albano Martins, Portugália Editora)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

mas... claro!

Fosse eu um espelho
onde sempre me visses!
Fosse eu o teu vestido,
para me trazeres sempre!
Eu queria ser a água
onde lavas o teu corpo.
Queria ser, mulher, perfume.
para com ele te ungir,
ser a faixa dos teus seios,
a pérola do teu pescoço.
Eu queria ser o sândalo.
Ou, ao menos,
que os teus pés me pisassem.

A uma rapariga, Anacreônticas (poemas de Anacreonte)
Antologia da Poesia Grega Clássica,
tradução e notas de Albano Martins, Portugália Editora, 2009

domingo, 21 de setembro de 2008

Maratona

No mês de Setembro de 490 a. C., depois de uma primeira tentativa fracassada por causa de uma violenta tempestade lhe destroçou a armada ao largo do monte Athos, o rei persa Dário, o Grande, desembarcou um exército de 15.000 homens na baía de Maratona (40 quilómetros a nordeste de Atenas). Em pânico, os atenienses enviaram um mensageiro (Fidípides) a Esparta, solicitando reforços, mas os espartanos disseram-lhe que só depois de terminado o festival religioso poderiam ajudar. Tendo que enfrentar sozinhos os persas, 10.000 gregos foram batalhando, num resultado incerto.
Em 21 de Setembro – precisamente 2048 anos antes da morte do imperador Carlos V, Carlos I de Espanha – o comandante dos gregos, Milcíades, apercebeu-se que a cavalaria persa voltara a embarcar (certamente para atacar Atenas) e que os reforços vinham a caminho. Decidiu então atacar. A infantaria grega atacou e retrocedeu, criando nos persas a ideia de um recuo. Nessa altura, o comandante fez avançar duas alas reforçadas, num duplo envolvimento, e esmagou os flancos persas, daí resultando um autêntico massacre: enquanto os gregos perderam 192 homens, os persas deixaram 6.400 mortos na planície de Maratona e, recolhendo aos navios, regressaram à pátria. Afastada a ameaça persa e sabendo que a revolta dos Alcmeónidas em Atenas dependia do apoio persa, os gregos enviaram de imediato um mensageiro (diz-se que terá sido de novo Fidípides) a anunciar a grande vitória. Sem qualquer paragem no trajecto, o soldado grego correu os 42 quilómetros que separam Maratona de Atenas e anunciou o triunfo, antes de cair morto de exaustão.
Nos Jogos Olímpicos de 1986, quase dois milénios e meio mais tarde, a prova que ficou conhecida por maratona foi ganha pelo grego Spiridon Louis, no tempo (hoje muito lento) de 2 horas, 58 minutos e 50 segundos.