(La nuit a été chaud. La noche estaba ayer al arder. It was a hot night, of dreams.
Era una notte completa dei sogni. Così bella)
Naquele dia, quando o dia abriu as persianas da aurora, trazia um inesperado riso de criança e salpicava as janelas de Abril com a luz em pingos. Predilecta cuidou-se ainda a sonhar, quando o espelho lhe devolveu um olhar diferente. Não se quis querer, mas aceitou de dádiva, e penteou os cabelos negros, a única coisa que parecia manter a cor.
Desceu a Rua do Salitre a cumprimentar os restos da revista e foi-se embrenhando na algazarra. Junto ao Carmo, já as pessoas faziam de pássaro nos varões das árvores. Acha, mais de trinta anos depois, que foi aquele olhar rabino do camuflado o que lhe traduziu o sonho. Trocou com ele um olhar igual.
Quando viu o engenheiro Calisto nos fundos da outra rua, o pedaço dele que da multidão sobrava, Rosarinha tinha já trocado o receio pela alegria. O senhor Calisto enviou-lhe um beijo que, saltitando as cabeças da multidão, se lhe pegou na réstia alva que os negros cortinados de cabelo abriam.
Também o engenheiro se tinha compreendido.
Há dias, a sua filha Vitória conheceu o rapaz do engenheiro.