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quarta-feira, 31 de março de 2010

Sinais de enganos...

"Como realmente é a cidade sob este denso invólucro de sinais, o que ela contém ou oculta, o homem sai de Tamara sem tê-lo sabido. Fora dela espraia-se a terra vazia até ao horizonte, abre-se o céu por onde correm as nuvens. Na forma que o acaso e o vento dão às nuvens o homem fica logo absorvido a reconhecer figuras: um veleiro, uma mão, um elefante..."
gggggggggg
Italo Calvino, AS CIDADES INVISÍVEIS (As cidades e os sinais. 1.)

terça-feira, 30 de março de 2010

Sonhos idos...

"Finalmente chega a Isidora, cidade onde os prédios têm escadas de caracol incrustadas de búzios marinhos (...), onde quando o forasteiro está indeciso entre duas mulheres encontra sempre uma terceira, onde as lutas de galos degeneram em brigas sangrentas entre os apostantes. Era em todas estas coisas que ele pensava quando desejava uma cidade. Assim Isidora é a cidade dos seus sonhos: com uma diferença. A vida sonhada continha-o jovem; a Isidora chega em idade tardia. Na praça há o paredão dos velhos que vêem passar a juventude; ele está sentado em fila com eles. Os desejos são já recordações".

Italo Calvino, AS CIDADES INVISÍVEIS (As cidades e a memória. 2.)